contador



domingo, 9 de dezembro de 2018

DEPUTADA CRISTINA ALMEIDA –(PSB-AP), TEVE RECONHECIMENTO NACIONAL DURANTE 30 ENCONTRO DE MULHERES NEGRAS




O encontro desse ano aconteceu de 06 a 09 de dezembro em Goiânia, com o tema: “contra o racismo, a violência e pelo bem viver mulheres negras movem o Brasil”. Uma reflexão dessas três décadas de ativismo dessas mulheres negras notáveis. São muitas as referências, entre elas: Benedita da Silva, Conceição Evaristo (Escritora), e para muitos como eu, Ângela Yvone Davis, professora, filosofa, socialista estado-unidense que alcançou notoriedade mundial na década de 70, como integrante dos Panteras Negras, uma grande referência na luta pelos direitos humanos nos Estados Unidos.   


Para esse blog a deputada Cristina Almeida (PSB-AP), há muito tempo vem rompendo e quebrando tabus, ela é a única deputada negra no estado do Amapá a assumir a sua “identidade” e, se pauta diariamente dessa temática. Não só no parlamento como toda a sua vivencia de militância desde os seus 13 anos de idade, ela é uma das sócia fundadora do Instituto de Mulheres Negras do Amapá (IMENA). Com esse engajamento aprimorado ao longo dos anos, ela levou para a vida pública a luta diária do povo preto por políticas afirmativas. Foi a primeira mulher negra superintendente do INCRA a combater os grileiros e a dar início as tão sonhadas titulações das terras quilombolas. Hoje Cristina Almeida, vai para o seu terceiro mandato, dois quanto deputada e um como vereadora, sendo sempre a primeira a merecer esse destaque.

“Não tenho dúvida que hoje a deputada Cristina Almeida figura ao lado dessas mulheres notáveis e por esse reconhecimento nacional ter sido dado agora, com toda certeza o mundo todo já sabe que aqui no extremo norte do Brasil, tem uma deputada negra que luta pelos direitos afirmativos da população negra de forma articulada com o resto do mundo, parabéns deputada”. Blog Alforriaamapá.

70 ANOS DE DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS



             Dia 10 de dezembro de 1948 foi aprovada pela organização da nações unidas (ONU) a declaração universal dos direitos humanos. Abalados pela barbárie da segunda guerra mundial, e com intuito de construir um mundo melhor com novas ideologias, os dirigentes das Nações Unidas, emergiram como potência na eminencia de promover a paz e a democracia.  De certo que após 70 anos, de lá para cá, muitos passos foram dados rumo ao objetivo principal "PAZ". No dia a dia vemos que a consciência não chegou a todos. Veja o que diz essa Declaração Universal dos Direitos humanos

Preâmbulo

 Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e dos seus direitos iguais e inalienáveis constitui o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo; Considerando que o desconhecimento e o desprezo dos direitos humanos conduziram a atos de barbárie que revoltam a consciência da Humanidade e que o advento de um mundo em que os seres humanos sejam livres de falar e de crer, libertos do terror e da miséria, foi proclamado como a mais alta inspiração humanos; Considerando que é essencial a proteção dos direitos humanos através de um regime de direito, para que o homem não seja compelido, em supremo recurso, à revolta contra a tirania e a opressão; Considerando que é essencial encorajar o desenvolvimento de relações amistosas entre as nações; Considerando que, na Carta, os povos das Nações Unidas proclamam, de novo, a sua fé nos direitos fundamentais humanos, na dignidade e no valor da pessoa humana, na igualdade de direitos dos homens e das mulheres e se declararam resolvidos a favorecer o progresso social e a instaurar melhores condições de vida dentro de uma liberdade mais ampla; Considerando que os Estados membros se comprometeram a promover, em cooperação com a Organização das Nações Unidas, o respeito universal e efetivo dos direitos humanos e das liberdades fundamentais; Considerando que uma concepção comum destes direitos e liberdades é da mais alta importância para dar plena satisfação a tal compromisso: A Assembleia Geral proclama a presente Declaração Universal dos Direitos humanos como ideal comum a atingir por todos os povos e todas as nações, a fim de que todos os indivíduos e todos os órgãos da sociedade, tendo-a constantemente no espírito, se esforcem, pelo ensino e pela educação, por desenvolver o respeito desses direitos e liberdades e por promover, por medidas progressivas de ordem nacional e internacional, o seu reconhecimento e a sua aplicação universais e efetivos tanto entre as populações dos próprios Estados membros como entre as dos territórios colocados sob a sua jurisdição.

Artigo 1° Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.

Artigo 2° Todos os seres humanos podem invocar os direitos e as liberdades proclamados na presente Declaração, sem distinção alguma, nomeadamente de raça, de cor, de sexo, de língua, de religião, de opinião política ou outra, de origem nacional ou social, de fortuna, de nascimento ou de qualquer outra situação. Além disso, não será feita nenhuma distinção fundada no estatuto político, jurídico ou internacional do país ou do território da naturalidade da pessoa, seja esse país ou território independente, sob tutela, autônomo ou sujeito a alguma limitação de soberania.

Artigo 3° Todo o indivíduo tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.

Artigo 4° Ninguém será mantido em escravatura ou em servidão; a escravatura e o trato dos escravos, sob todas as formas, são proibidos.

Artigo 5° Ninguém será submetido a tortura nem a penas ou tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes.

Artigo 6° Todos os indivíduos têm direito ao reconhecimento, em todos os lugares, da sua personalidade jurídica.

Artigo 7° Todos são iguais perante a lei e, sem distinção, têm direito a igual proteção da lei. Todos têm direito a proteção igual contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação.

Artigo 8° Toda a pessoa tem direito a recurso efetivo para as jurisdições nacionais competentes contra os atos que violem os direitos fundamentais reconhecidos pela Constituição ou pela lei.

Artigo 9° Ninguém pode ser arbitrariamente preso, detido ou exilado.

Artigo 10° Toda a pessoa tem direito, em plena igualdade, a que a sua causa seja equitativa e publicamente julgada por um tribunal independente e imparcial que decida dos seus direitos e obrigações ou das razões de qualquer acusação em matéria penal que contra ela seja deduzida.

Artigo 11° 1. Toda a pessoa acusada de um ato delituoso presume-se inocente até que a sua culpabilidade fique legalmente provada no decurso de um processo público em que todas as garantias necessárias de defesa lhe sejam asseguradas. 2. Ninguém será condenado por ações ou omissões que, no momento da sua prática, não constituíam ato delituoso à face do direito interno ou internacional. Do mesmo modo, não será infligida pena mais grave do que a que era aplicável no momento em que o ato delituoso foi cometido.

Artigo 12° Ninguém sofrerá intromissões arbitrárias na sua vida privada, na sua família, no seu domicílio ou na sua correspondência, nem ataques à sua honra e reputação. Contra tais intromissões ou ataques toda a pessoa tem direito a proteção da lei.

Artigo 13° 1. Toda a pessoa tem o direito de livremente circular e escolher a sua residência no interior de um Estado. 2. Toda a pessoa tem o direito de abandonar o país em que se encontra, incluindo o seu, e o direito de regressar ao seu país.

Artigo 14° 1. Toda a pessoa sujeita a perseguição tem o direito de procurar e de beneficiar de asilo em outros países. 2. Este direito não pode, porém, ser invocado no caso de processo realmente existente por crime de direito comum ou por atividades contrárias aos fins e aos princípios das Nações Unidas.

Artigo 15° 1. Todo o indivíduo tem direito a ter uma nacionalidade. 2. Ninguém pode ser arbitrariamente privado da sua nacion país. 3. A vontade do povo é o fundamento da autoridade dos poderes públicos: e deve exprimir-se através de eleições honestas a realizar periodicamente por sufrágio universal e igual, com voto secreto ou segundo processo equivalente que salvaguarde a liberdade de voto.

Artigo 16° 1. A partir da idade núbil, o homem e a mulher têm o direito de casar e de constituir família, sem restrição alguma de raça, nacionalidade ou religião. Durante o casamento e na altura da sua dissolução, ambos têm direitos iguais. 2. O casamento não pode ser celebrado sem o livre e pleno consentimento dos futuros esposos. 3. A família é o elemento natural e fundamental da sociedade e tem direito à proteção desta e do Estado.

Artigo 17° 1. Toda a pessoa, individual ou coletivamente, tem direito à propriedade. 2. Ninguém pode ser arbitrariamente privado da sua propriedade.

Artigo 18° Toda a pessoa tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião; este direito implica a liberdade de mudar de religião ou de convicção, assim como a liberdade de manifestar a religião ou convicção, sozinho ou em comum, tanto em público como em privado, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pelos ritos.

Artigo 19° Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e ideias por qualquer meio de expressão.

Artigo 20° 1. Toda a pessoa tem direito à liberdade de reunião e de associação pacíficas. 2. Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação.

Artigo 21° 1. Toda a pessoa tem o direito de tomar parte na direção dos negócios, públicos do seu país, quer diretamente, quer por intermédio de representantes livremente escolhidos. 2. Toda a pessoa tem direito de acesso, em condições de igualdade, às funções públicas do seu país. 3. A vontade do povo é o fundamento da autoridade dos poderes públicos: e deve exprimir-se através de eleições honestas a realizar periodicamente por sufrágio universal e igual, com voto secreto ou segundo processo equivalente que salvaguarde a liberdade de voto.

Artigo 22° Toda a pessoa, como membro da sociedade, tem direito à segurança social; e pode legitimamente exigir a satisfação dos direitos econômicos, sociais e culturais indispensáveis, graças ao esforço nacional e à cooperação internacional, de harmonia com a organização e os recursos de cada país.

Artigo 23° 1. Toda a pessoa tem direito ao trabalho, à livre escolha do trabalho, a condições equitativas e satisfatórias de trabalho e à proteção contra o desemprego. 2. Todos têm direito, sem discriminação alguma, a salário igual por trabalho igual. 3. Quem trabalha tem direito a uma remuneração equitativa e satisfatória, que lhe permita e à sua família uma existência conforme com a dignidade humana, e completada, se possível, por todos os outros meios de proteção social. 4. Toda a pessoa tem o direito de fundar com outras pessoas sindicatos e de se filiar em sindicatos para defesa dos seus interesses.

Artigo 24° Toda a pessoa tem direito ao repouso e aos lazeres, especialmente, a uma limitação razoável da duração do trabalho e as férias periódicas pagas.

Artigo 25° 1. Toda a pessoa tem direito a um nível de vida suficiente para lhe assegurar e à sua família a saúde e o bem-estar, principalmente quanto à alimentação, ao vestuário, ao alojamento, à assistência médica e ainda quanto aos serviços sociais necessários, e tem direito à segurança no desemprego, na doença, na invalidez, na viuvez, na velhice ou noutros casos de perda de meios de subsistência por circunstâncias independentes da sua vontade. 2. A maternidade e a infância têm direito a ajuda e a assistência especiais. Todas as crianças, nascidas dentro ou fora do matrimônio, gozam da mesma proteção social.

Artigo 26° 1. Toda a pessoa tem direito à educação. A educação deve ser gratuita, pelo menos a correspondente ao ensino elementar fundamental. O ensino elementar é obrigatório. O ensino técnico e profissional dever ser generalizado; o acesso aos estudos superiores deve estar aberto a todos em plena igualdade, em função do seu mérito. 2. A educação deve visar à plena expansão da personalidade humana e ao reforço dos direitos humanos e das liberdades fundamentais e deve favorecer a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e todos os grupos raciais ou religiosos, bem como o desenvolvimento das atividades das Nações Unidas para a manutenção da paz. 3. Aos pais pertence a prioridade do direito de escolher o gênero de educação a dar aos filhos.

Artigo 27° 1. Toda a pessoa tem o direito de tomar parte livremente na vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar no progresso científico e nos benefícios que deste resultam. 2. Todos têm direito à proteção dos interesses morais e materiais ligados a qualquer produção científica, literária ou artística da sua autoria.

Artigo 28° Toda a pessoa tem direito a que reine, no plano social e no plano internacional, uma ordem capaz de tornar plenamente efetivos os direitos e as liberdades enunciadas na presente Declaração.

Artigo 29° 1. O indivíduo tem deveres para com a comunidade, fora da qual não é possível o livre e pleno desenvolvimento da sua personalidade. 2. No exercício destes direitos e no gozo destas liberdades ninguém está sujeito senão às limitações estabelecidas pela lei com vista exclusivamente a promover o reconhecimento e o respeito dos direitos e liberdades dos outros e a fim de satisfazer as justas exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar numa sociedade democrática. 3. Em caso algum estes direitos e liberdades poderão ser exercidos contrariamente aos fins e aos princípios das Nações Unidas.

Artigo 30° Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada de maneira a envolver para qualquer Estado, agrupamento ou indivíduo o direito de se entregar a alguma atividade ou de praticar algum ato destinado a destruir os direitos e liberdades aqui enunciados.

Palavras chaves: Declaração Universal dos Direitos Humanos, 70 anos.

sábado, 8 de dezembro de 2018

A REVOLTA DOS MALÊS FOI PROTAGONIZADA POR PESSOAS ESCRAVIZADAS QUE VIVIAM EM ÁREAS URBANAS


Na Salvador de 1835, a Revolta dos Malês foi protagonizada por pessoas escravizadas que viviam em áreas urbanas, que não cortavam cana em engenhos, nem passavam a noite em senzalas. Muito pelo contrário. Desfrutavam de relativa liberdade, podiam até trabalhar fora e recebiam uma pequena quantia pelos seus serviços. Os "negros de ganho", como eram conhecidos, exerciam os mais variados ofícios: de barbeiro a artesão, de alfaiate a vendedor.
Com o que ganhavam, pagavam uma "cota" diária ao senhor. Com o que sobrava, arcavam com as despesas de comida, moradia e vestuário. "Alguns economizavam para comprar sua carta de alforria. Outros, depois de libertos, chegaram a acumular patrimônio maior que certos brancos", explica Ribeiro.
Para manter viva a crença no profeta Maomé, os malês se reuniam em lugares afastados e a portas fechadas para fazer orações, ler passagens do Corão e celebrar festas do calendário muçulmano. "Assim como o candomblé, o islã não era totalmente livre para ser praticado. Senhores de escravos e chefes de polícia tanto toleravam quanto reprimiam", observa Reis.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

O “MOVIMENTO” DO MOVIMENTO NEGRO NO ESTADO DO AMAPÁ




Escrever sobre o movimento negro no Amapá, requer uma grande responsabilidade, tento, através desse blog nortear as pessoas que me tem como referência. “Digo apenas que me debruço em fatos e dados, afim de desmistificar esse movimento que nos movimenta”. Aproveito para agradecer, pois isso só me faz continuar a pesquisar e dividir com os leitores do alforriaamapá minhas indagações que ajuda na duvida de alguém.  

Primeiro minhas referências: sou licenciado em história, com pós graduação em história Indígena e Africana e, me serve como grande referência ter tido como professor na pós, Ivair Alves dos santos, que foi um dos idealizadores do movimento negro em São Paulo. Nos anos de 2011 a 2014 eu passei a trabalhar na seafro (secretaria extraordinária de políticas ao afro descendente), fui conselheiro de educação ocupando a cadeira quilombola e conselheiro municipal de promoção de igualdade racial. Em 2015, fui responsável pelo grupo do Amapá na conferência nacional de promoção de igualdade racial, onde fui escolhido através de voto, por uma articulação. Da saudosa Raimundinha Ramos a conduzir os trabalhos do grupo que tratou da cultura em âmbito nacional e como costumo dizer “me sinto quilombola pelo fato do umbigo de meu pai ter sido plantado nas terras do Criau”.

"Esse ano 2018, o Movimento Negro Unificado completou 40 anos de luta por justiça para o povo negro. O MNU, é uma organização pioneira na luta do povo negro no Brasil, fundada no dia 18 de junho de 1978, e lançada publicamente no dia 7 de junho, e de certa forma, o movimento negro do Amapá se baseia em muito nos princípios do MNU".

Caros leitores, o movimento negro, pressiona, articula junto aos parlamentares, ele acelera o processo de implementação das políticas afirmativas; uma conquista garantida pela constituição de 1988. Dessa forma, cada seguimento trabalha de forma articulada com marco regulatórios como: a lei 10.639/03, o quilombola reivindica pelo processo de regularização das terras quilombola decreto 4887. Ressaltando que todas essas leis são estatutárias (lei 12.288, Estatuto de Igualdade Racial). E através de seus membros o movimento se institucionaliza. Quando membros desse movimento são eleitos conselheiros, seja da educação, saúde, segurança pública.  Dessa forma, ratifica a demanda dos seguimentos que compõe o movimento negro. É nessa hora que as demandas são unificadas e viram leis ou arranjos institucionais, assim, as políticas afirmativas implantadas no estado passa pelo “crivo” do movimento. Como exemplo a própria criação da seafro que trata especifica as demandas do movimento de forma integradas.  No movimento negro existe: hip hop, capoeira, marabaixo, religiosidade, quilombolas. Esses grupos compõe o movimento negro, onde cada um reivindica a sua parte (recorte), existe uma política específica para cada seguimento desse. “É dessa forma que o movimento negro se movimenta no estado do Amapá”

Palavras chaves: movimento negro, cultura negra, políticas afirmativas, Amapá,

domingo, 2 de dezembro de 2018

O MAIS E A MAIS BELA NEGRA DO I ENCONTRO DAS COMUNIDADES TITULADAS DO ESTADO DO AMAPÁ NO CURIAÚ




Marlon Izaksom e Nathani Elem Ramos, os mais belos negros do I encontro dos quilombos titulados no Amapá
Dando continuidade ao I Encontro Cultural, Esportivo e social de Comunidades Quilombolas Tituladas do Estado do Amapá, tendo como título “curiaú a resistência de um povo”. A comunidade do criaú/curiau que sedia o evento, fica distante de Macapá 12 quilômetros escolheu na noite desse sábado (01) o mais belo e a mais bela negra das comunidades quilombolas tituladas. Um concurso modesto sem muito luxo que premiou  com 250 reais ao primeiro e 150 ao segundo lugar, no entanto, esse concurso tem um significado muito grande: Todos são representantes oriundos das comunidades, jovens que se integram aos outros jovens com o mesmo entusiasmo e sabem do valor de uma comunidade unida. Vale esse destaque.

Os dois negros escolhidos são da própria comunidade de curiaú de dentro, ele chama-se Marlon Izaksom, filho de Panta e Denise e a mais bela negra é Nathani Elem Ramos, filha de Iraci Oliveira e Vanessa. Ambos reinarão até o II encontro numa comunidade que será escolhida ao final do encontro.

A estratégia principal desse encontro é agregar pessoas com experiências para a reprodução de aprendizados, com trocas mutuas entre as outras pessoas das comunidades envolvidas, promovendo assim, um escambo de conhecimentos, afim de fortalece-las, tanto na cultura quanto nas efetivações das políticas públicas afirmativas. “O concurso é uma forma de valorização do negro na comunidade e, nos serve para o chamamento ao jovem para que esse tomem interesse pelas problemáticas das comunidades, não sendo só o desfile pelo desfile”, ressaltou Geovana Ramos, uma das coordenadoras do projeto. 

"Que fique o registro que no primeiro momento, esse projeto teve o incentivo governamental que por algum motivo os órgãos convidados se afastaram do processo".

Palavras chaves: Identidade negra, cultura, tradição, a mais bela negra, o mais belo negro, Amapá

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

NÃO PODEMOS SER OS PALHAÇOS SOCIAIS DE TODOS OS ANOS DE CONSCIÊNCIA NEGRA



Passado o mês da consciência negra é necessário uma avaliação: será que já adquirimos, nós enquanto negros nosso lugar se dentro da casa grande ou dentro da senzala - dada pelo colonizador? 

“Nos salões elegantes dançavam, damas e senhores e nas senzalas os “escravos” dançavam entoando seus tambores” Casa Grande e Senzalas - Mangueira 1962. Esse samba já incitava a consciência coletiva que nossos pretos escravizados tiveram, não podemos alimentar os casarões e permanecer nessas de estar tudo bem se está bem pra mim. É necessário cada ano avançamos um pouco lacônico no que queremos; sabedores que quando o tambor entoar é o momento de um novo levante e não para silenciar o som da casa grande. 

"Uma mesa não se enche de frutas só para alimentar a fome, ela serve de chamamento para compartilhar muito alem de matar a fome".

Muitos passos são dados nas garantias dos direitos afirmativos e nem todos sabem disso, não é a festa pela festa, sim momento de discussão, não estamos nos preocupando com essa missiva, não nos preocupamos com o coletivo. O coletivo não é quem canta mais ou quem canta menos, não é o que dança mais ou quem dança menos, não é o mais e a mais bela e, sim o conjunto, o grupo. Deixemos então de sermos os palhaços sociais e nos emponderemos do conhecimento do nosso povo que mesmo na desdita da senzala fizeram desse espaço de dor o início do levante negro rumo aos quilombos, numa rede de comunicação que absorveu todos os negros, dos libertos aos em cativeiros. Enquanto nos deram um mês, nos capacitemos para durante o tempo todo sermos negros dono do nosso destino, conscientes de que quando a senzala aprende ler a casa grande treme.

João Ataíde

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

CURIAÚ/CRIAÚ REALIZA RODA DE CONVERSA COM OBJETIVO DE DAR FORTALECIMENTO AS COMUNIDADES EM PROCESSO DE REGULARIZAÇÃO FUNDIÁRIA



“A roda é algo sagrado para o povo preto, seja com um tambor ao centro ou tão somente o núcleo como testemunho de grandes revoluções ou como infindáveis noites de cantos e danças sempre no objetivo maior que é o da transmissão de algo promissor de um povo”.

Nesse dia (29) a comunidade de Criau/Curiau realizou uma roda de conversa com as comunidades quilombolas em processo de regularização fundiária, que vale destacar que tem o seu início com a certificação emitida pela Fundação Cultural Palmares, e posterior a isso, a entrada junto aos órgãos competentes para prosseguir num longo e penoso caminho ao tão sonhado título definitivo de comunidade quilombola. A comunidade do Curiau teve sua titulação de forma especial através do decreto 4887 e não passou pelo simbólico processo em que as outras estão inseridas, dessa forma, aproveitando o calor do mês da consciência negra, o líder comunitário Sebastião Meneses, juntamente com Isis Tatiane, Geovana Ramos, Alex Ramos e Joelma Meneses,  fizeram o chamamento a essas comunidades para através dessa roda de conversa ajustarem o que falta, afim de dar encaminhamentos junto aos órgãos competentes, pois no juízo do grupo as comunidades estão muitas dispensas e fortalecer é preciso.


Para Carlos Piru produtor cultural e representante da Nação Marabaixeira “me sinto grato em participar e contribuir com esse projeto, pois trabalhar o processo junto a essas comunidades de forma lúdica, amplia nossa capacidade de transmitir o Emponderamento, a roda põe todos em pé de igualdade e nivela informações sobre as problemáticas de cada QUILOMBO e que acabam sendo comum entre eles”, destacou Carlos Piru. Foi o entendimento parecido o de Ísis Tatiane que é presidente da associação de mulheres negras do Curiaú (Mãe Venina) “pra mim foi muito produtiva, pois a maior intensão foi fazer com que os quilombos titulados pudessem dialogar entre si, acerca de suas dificuldades e os caminhos tomados pra resolver seus entraves, percebi que os nossos problemas são os mesmos, mas a forma de resolver tem sido bastante diferente somos comunidade estruturadas socialmente mais o perfil das nossas lideranças são muito diferentes”. Essa roda de conversa é apenas o início do fortalecimento da política de regularização fundiária junto a essas comunidades e o alforria Amapá estará sempre a disposição de iniciativas como essas.

Palavras chave: titulação, movimento quilombola, quilombos do Amapá, roda de conversa, curiaú.