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quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

AFROTECA: BIBLIOGRAFIA E FONTES PRIMÁRIAS SOBRE AUTORXS NEGRX E TEMÁTICAS RACIAIS




Então, como de costume, de tempos em tempos venho aqui fazer a revitalização da mesma postagem de sempre: a "Afroteca". Ao longo do meu período de estudos dentro do meu curso de mestrado em Antropologia Social na UFMG, acabei acumulando um número expressivo de textos de autores e autoras negras que falam sobre as mais diversas temáticas possíveis: educação, saúde, racialidade, cultura, política, sexualidade, feminismo, feminismo negro, afetividade negra, ativismo, filosofia africana, pan-africanismo, afrocentricidade e muito mais!

No início essa foi uma iniciativa meio solitária onde eu apenas deixava disponível os textos que acumulei sozinho em minha empreitada acadêmica. Mas, com o passar do tempo, vários amigos e professores passaram a contribuir com essa iniciativa me enviando seus PDFs, livros e referencias pra integrarem essa "Afroteca", que hj já conta com mais de 600 livros e artigos pra download completamente gratuito!

A mais nova atualização consta com uma pasta com vários artigos e livros que abordam teoricamente a questão da Branquitude e suas vicissitudes! Então, quem quiser conferir, só chegar, divulgar, e baixar!
 Como diriam meus colegas cotistas do mestrado e doutodado do PPGAN-UFMG, " É TUDO NOSSO". ;) <3
  
https://mega.nz/#F!eMxDXBQI!Tym5mcS4ZE3jWHSHaEYRag

MARINHO CARLOS SILVA SANTOS OU SIMPLESMENTE MARINHO MACAPÁ



Na valorização das nossas pessoalidades negras do estado do Amapá, conheça um pouco da história de um grande jogador de futebol oriundo dos campos do laguinho, filho de Marinho Ramos dos Santos e Maria ondina da Silva Santos,
Com a grande característica do vigor físico, jogando sempre de cabeça erguida com pleno domínio do meio de campo, qualidade de poucos como ele.  

Moleque dos campos do Laguinho abancou jogando futebol no campo do América, exibiu seu talento na Serra do Navio partindo para o futebol de Santarém, aqui por essas bandas defendeu as cores do Santana, se transferiu para o Guarany aonde foi defender o clube no Copão da Amazônia em 1978 Fizeram um jogo amistoso contra o Nacional de Manaus e o Guarany ganhou de 1x0.


Na partida de volta em Macapá, novamente nova Vitória do bugre, com apresentação impecável do Marinho, fato que deixou os dirigentes do Nacional de olho no Marinho. Se transferiu para Manaus e teve uma belíssima etapa futebolística nos clubes de Manaus. Hoje residente em Manaus está completando 64 anos de vida
PARABÉNS ao Amigo Marinho Macapá
Por Mario Correa

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

PIRATAS ESTILIZADOS 45 ANOS VALORIZANDO AS PERSONALIDADES DO BAIRRO DO LAGUINHO

fotos agremiação


“Pirata vem lá do laguinho, com muito amor no coração, homenagem aos valores que tivemos e que perdemos o nosso Julião: Germano, Falconeri, Luiz, quando desfilavam o povo ficava feliz, não sou eu quem falo é o povo quem diz”, esse é uma parte do samba de Irlam do Laguinho e Aureliano Neck, antagônico, de valorização aos brincantes da escola do coração do laguinho. Ela nasceu do ajuntamento de emoções de dois grupos, um de movimento pela vontade de brincar o carnaval de rua e já de princípio exibia fantasias suntuosas e um outro de criar um bloco, do bairro central. 

A data da fundação é de 5 de janeiro de 1974,em resultado do encontro desses anseios e no dia citado,  aconteceu de uma reunião na sede dos escoteiros Veiga Cabral (Av: Eliezer Levir- laguinho), com o estímulo do “grande” chefe Humberto, em registro estiveram nessa reunião: Augusto, Celi Del Castilho (primeira presidente), Carlos Preto, Babalão, Carminha Toste, professor Mozart (escoteiro chefe, professor de referência do bairro), Graça Lobato, Consolação, Zeca Cangaceiro, Pedro Ramos (irmão de Neck e tocador de repique), Rita, Mario Correa e muitos outros que igualmente merece a referência.
fotos agremiação 

O nome foi dado pela presidente, que já o utilizava no bloco de carnaval de salão nos clubes da cidade de Macapá. Seu símbolo, um menino pirata onde se criou o senso comum de Piratinhas, nas cores: verde, laranja, preto, amarelo e branco, com o tempo as cores preto e laranja viraram as cores de maiores destaques na agremiação.
fotos arquivo da agremiação

Foram anos desfilando como bloco o que levou a um desafio maior, e em 1980, desfila como escola de samba do segundo grupo, vale um registro, em 1981, foi o naufrágio do novo Amapá em que vitimou muitas pessoas ligadas a agremiação foi a espiração para Ilan e Neck comporem o samba “homenagem aos valores do bairro”, um misto de gratidão, valorização, a escola em plena FAB no retorno do carnaval, ainda chorava os seus mortos com alegria brincando o carnaval.

A escola só passou a existir de fato e de direito em 1989, com o nome de – GRÊMIO RECREATIVO ESCOLA DE SAMBA PIRATAS ESTILIZADOS - nessa trajetória, a agremiação foi campeã em 1996, com o enredo “risos e lagrimas no palco da ilusão” do carnavalesco Paulo Rodrigues e samba de Carlos Piru e Cristina Sá. Em alguns aspectos do carnaval o Piratas estilizados foi o primeiro: Ala coreografada, comissão de frente impecável com coreografia, alegorias com movimentos e esplendidos acabamentos em tecnologia da época, isso ainda no tempo de carnaval de avenida FAB, quando as comissões vinham na frente apenas os fundadores acenando para as arquibancadas o Heraldo Almeida já inovava trazendo mulheres semi nuas com coreografia, vale esse registro.
A agremiação foi campeã em 1996, último ano de desfile na avenida FAB com o enredo “risos e lagrimas no palco da ilusão” do carnavalesco Paulo Rodrigues e samba de Carlos Piru e Cristina Sá.
 
fotos aquivo da agremiação
Nesse ano de 2019, o presidente é o jovem Diego Armando da grande família que nasceu no quintal fecundo de toda essa trajetória de gloria dessa agremiação e ladeado com o Mauricio Correa, tem a missão de dar continuidade, juntamente com a sua diretoria em seguir nas diretrizes dos Piratas Estilizados, em manter como uma agremiação que trata muito mais que samba, trata-se do enlace familiar das famílias tradicionais do laguinho.
 “Olá e Fafá, olha a e GEGE, olha ai Lulu que nós vamos dizer, vocês foram embora e nós lembramos vocês” samba de 1984.

Texto João Ataíde – licenciado em história, pesquisador cultural.
Fontes: Cartilha a história do samba no Amapá 2004, organizada por Carlos Pirú, entrevistas Aureliano Neck e Mario Correa.

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

MICHAEL CHAMBERS DANÇOU MAIS QUE MICHAEL JACKSON




Apesar de nunca ter conhecido pessoalmente nenhum dos dois, Sei que vou entrar numa confusão sem tamanho, mas, seria injusto em não emitir minha opinião sobre quem dançou mais? o mito Michael Jacson ou o Michael Chambers?

Muitos nem sabem quem é Chambers, pois bem, posso afirmar que o Turbo, que foi como eternizou o personagem no filme breack dancing de 1984, e ele fazia tudo e um pouco mais do que o Michael Jackson. Eu em Macapá, distantes nem sei quanto quilômetros dos Estados Unidos, Michael Chambers” Boogaloo” Shremp, hoje com 61 anos, é um americano bailarino com um estilo de dança que fez escola, incluindo o grande astro foi seu aluno, por relato dele próprio, aperfeiçoou o seu estilo através dos programas de televisão de ficção cientifica, falando sobre o filme:” Por um breve e brilhante período de 1984 a 1985, o breakdancing foi o foco de uma séria tendência cinematográfica. Abraçando a energia de uma crescente cultura hip-hop, uma corrida rápida de filmes com breakdancing inundou as telas, antes de desaparecer com a mesma rapidez”, fonte (https://www.dvdtalk.com/reviews/67221/breakin-breakin-2-electric-boogaloo/).

Eu sou um fã, pois passei muitas tardes da década de 90 assistindo o filme e me comportando como o Turbo. De outro lado o Michael Jackson, crescia como rei do pop, com suas músicas já apresentando vídeos bem elaborados, um fenômeno criado pela indústria cultural com todos os apelos possíveis, fazia lançamento anual de músicas, verdadeira febre entre os aficionados. Vale avaliar, o filme breack Dancing representava uma revolução da periferia e foi sepultado pela grande indústria e, de certa forma se apropriou em muito da dança do “Tubo” um representante da periferia, alguns passes parece em determinados momentos como se o Michael Jackson tivesse pego aula com o Chambre. no entanto o astro pop contribuiu em muito com a divulgação do gênero, o qual reverencio plenamente.  “Na vida tem dessas coisas, uns tem oportunidades diferentes dos outros e foi o que aconteceu com esses dois negros notáveis, Michael Jackson tem seus méritos por cantar, dançar e atuar, um artista completo e chambre por ter difundido sua arte de dançar”.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

TU JÁ ESTÁ FAZENDO PAPEL DE PRETO!



Todos os dias ouvimos demonstrações como essa. Ainda que saibamos que são para nos apreender e mostrar, pois, não nos querem por perto, não satisfaz terem criado um mundo onde pretos não entram? Ainda, nos eliminam todos os dias com palavras inábeis como: fazer papel de preto?

Mas, qual é esse papel que os racistas tanto se aludem? É necessário uma reflexão coletiva do povo preto para assim retrucar esse intento, eu não deixo barato, pergunto de imediato e na maioria das vezes o agressor não responde, pois ele sabe do crime cometido. Ele sabe.

Não importa qual negro você seja, do maior cátedra ao da ralé, quem foi o que ainda não escutou a tal frase ou uma piada envolvendo nossa etnia – quando não faz merda na entrada, faz na saída. A mídia mundial tem noticiado a saga de Michele Obama, ela teve o recorde de venda de livro em 15 dias, disse” sofri racismo na casa branca, e exercer o cargo de primeira dama me deixou algumas cicatrizes emocionais, sobretudo, por causa do racismo, ainda enfrenta, mesmo após a gestão de seu marido” (fonte o Globo). Saibam, nos Estados Unidos a “extração” de negros escravizados foi proibido em 1 de janeiro de 1808, e através de uma emenda à constituição pondo fim a escravidão em 1865, portanto 23 anos antes da abolição brasileira datada de (1888). Tanto lá quanto cá desse lado, mesmo com todos os direitos assegurados, nós negros escutamos todos os dias, simplesmente porque, não nos querem juntos transitando pelos lugares deixados pelos ancestrais deles. São as nossas chagas independente da geografia.

Muitos desses fatos e algoritmos são alimentados por negros e pretos entre nós, isso mesmo, incide quando nos prestamos aos brancos e ainda pisamos em nossos pretos. Os que conseguem se mascarar de branco, ignoram os seus semelhantes na hora de luta e, aceitam escutar termos depreciativos e não falam nada... “ainda riem como se não fossem pretos”. 

Mais o que  é coisa de preto mesmo?

Por João Ataíde

domingo, 9 de dezembro de 2018

DEPUTADA CRISTINA ALMEIDA –(PSB-AP), TEVE RECONHECIMENTO NACIONAL DURANTE 30 ENCONTRO DE MULHERES NEGRAS




O encontro desse ano aconteceu de 06 a 09 de dezembro em Goiânia, com o tema: “contra o racismo, a violência e pelo bem viver mulheres negras movem o Brasil”. Uma reflexão dessas três décadas de ativismo dessas mulheres negras notáveis. São muitas as referências, entre elas: Benedita da Silva, Conceição Evaristo (Escritora), e para muitos como eu, Ângela Yvone Davis, professora, filosofa, socialista estado-unidense que alcançou notoriedade mundial na década de 70, como integrante dos Panteras Negras, uma grande referência na luta pelos direitos humanos nos Estados Unidos.   


Para esse blog a deputada Cristina Almeida (PSB-AP), há muito tempo vem rompendo e quebrando tabus, ela é a única deputada negra no estado do Amapá a assumir a sua “identidade” e, se pauta diariamente dessa temática. Não só no parlamento como toda a sua vivencia de militância desde os seus 13 anos de idade, ela é uma das sócia fundadora do Instituto de Mulheres Negras do Amapá (IMENA). Com esse engajamento aprimorado ao longo dos anos, ela levou para a vida pública a luta diária do povo preto por políticas afirmativas. Foi a primeira mulher negra superintendente do INCRA a combater os grileiros e a dar início as tão sonhadas titulações das terras quilombolas. Hoje Cristina Almeida, vai para o seu terceiro mandato, dois quanto deputada e um como vereadora, sendo sempre a primeira a merecer esse destaque.

“Não tenho dúvida que hoje a deputada Cristina Almeida figura ao lado dessas mulheres notáveis e por esse reconhecimento nacional ter sido dado agora, com toda certeza o mundo todo já sabe que aqui no extremo norte do Brasil, tem uma deputada negra que luta pelos direitos afirmativos da população negra de forma articulada com o resto do mundo, parabéns deputada”. Blog Alforriaamapá.

70 ANOS DE DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS



             Dia 10 de dezembro de 1948 foi aprovada pela organização da nações unidas (ONU) a declaração universal dos direitos humanos. Abalados pela barbárie da segunda guerra mundial, e com intuito de construir um mundo melhor com novas ideologias, os dirigentes das Nações Unidas, emergiram como potência na eminencia de promover a paz e a democracia.  De certo que após 70 anos, de lá para cá, muitos passos foram dados rumo ao objetivo principal "PAZ". No dia a dia vemos que a consciência não chegou a todos. Veja o que diz essa Declaração Universal dos Direitos humanos

Preâmbulo

 Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e dos seus direitos iguais e inalienáveis constitui o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo; Considerando que o desconhecimento e o desprezo dos direitos humanos conduziram a atos de barbárie que revoltam a consciência da Humanidade e que o advento de um mundo em que os seres humanos sejam livres de falar e de crer, libertos do terror e da miséria, foi proclamado como a mais alta inspiração humanos; Considerando que é essencial a proteção dos direitos humanos através de um regime de direito, para que o homem não seja compelido, em supremo recurso, à revolta contra a tirania e a opressão; Considerando que é essencial encorajar o desenvolvimento de relações amistosas entre as nações; Considerando que, na Carta, os povos das Nações Unidas proclamam, de novo, a sua fé nos direitos fundamentais humanos, na dignidade e no valor da pessoa humana, na igualdade de direitos dos homens e das mulheres e se declararam resolvidos a favorecer o progresso social e a instaurar melhores condições de vida dentro de uma liberdade mais ampla; Considerando que os Estados membros se comprometeram a promover, em cooperação com a Organização das Nações Unidas, o respeito universal e efetivo dos direitos humanos e das liberdades fundamentais; Considerando que uma concepção comum destes direitos e liberdades é da mais alta importância para dar plena satisfação a tal compromisso: A Assembleia Geral proclama a presente Declaração Universal dos Direitos humanos como ideal comum a atingir por todos os povos e todas as nações, a fim de que todos os indivíduos e todos os órgãos da sociedade, tendo-a constantemente no espírito, se esforcem, pelo ensino e pela educação, por desenvolver o respeito desses direitos e liberdades e por promover, por medidas progressivas de ordem nacional e internacional, o seu reconhecimento e a sua aplicação universais e efetivos tanto entre as populações dos próprios Estados membros como entre as dos territórios colocados sob a sua jurisdição.

Artigo 1° Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.

Artigo 2° Todos os seres humanos podem invocar os direitos e as liberdades proclamados na presente Declaração, sem distinção alguma, nomeadamente de raça, de cor, de sexo, de língua, de religião, de opinião política ou outra, de origem nacional ou social, de fortuna, de nascimento ou de qualquer outra situação. Além disso, não será feita nenhuma distinção fundada no estatuto político, jurídico ou internacional do país ou do território da naturalidade da pessoa, seja esse país ou território independente, sob tutela, autônomo ou sujeito a alguma limitação de soberania.

Artigo 3° Todo o indivíduo tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.

Artigo 4° Ninguém será mantido em escravatura ou em servidão; a escravatura e o trato dos escravos, sob todas as formas, são proibidos.

Artigo 5° Ninguém será submetido a tortura nem a penas ou tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes.

Artigo 6° Todos os indivíduos têm direito ao reconhecimento, em todos os lugares, da sua personalidade jurídica.

Artigo 7° Todos são iguais perante a lei e, sem distinção, têm direito a igual proteção da lei. Todos têm direito a proteção igual contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação.

Artigo 8° Toda a pessoa tem direito a recurso efetivo para as jurisdições nacionais competentes contra os atos que violem os direitos fundamentais reconhecidos pela Constituição ou pela lei.

Artigo 9° Ninguém pode ser arbitrariamente preso, detido ou exilado.

Artigo 10° Toda a pessoa tem direito, em plena igualdade, a que a sua causa seja equitativa e publicamente julgada por um tribunal independente e imparcial que decida dos seus direitos e obrigações ou das razões de qualquer acusação em matéria penal que contra ela seja deduzida.

Artigo 11° 1. Toda a pessoa acusada de um ato delituoso presume-se inocente até que a sua culpabilidade fique legalmente provada no decurso de um processo público em que todas as garantias necessárias de defesa lhe sejam asseguradas. 2. Ninguém será condenado por ações ou omissões que, no momento da sua prática, não constituíam ato delituoso à face do direito interno ou internacional. Do mesmo modo, não será infligida pena mais grave do que a que era aplicável no momento em que o ato delituoso foi cometido.

Artigo 12° Ninguém sofrerá intromissões arbitrárias na sua vida privada, na sua família, no seu domicílio ou na sua correspondência, nem ataques à sua honra e reputação. Contra tais intromissões ou ataques toda a pessoa tem direito a proteção da lei.

Artigo 13° 1. Toda a pessoa tem o direito de livremente circular e escolher a sua residência no interior de um Estado. 2. Toda a pessoa tem o direito de abandonar o país em que se encontra, incluindo o seu, e o direito de regressar ao seu país.

Artigo 14° 1. Toda a pessoa sujeita a perseguição tem o direito de procurar e de beneficiar de asilo em outros países. 2. Este direito não pode, porém, ser invocado no caso de processo realmente existente por crime de direito comum ou por atividades contrárias aos fins e aos princípios das Nações Unidas.

Artigo 15° 1. Todo o indivíduo tem direito a ter uma nacionalidade. 2. Ninguém pode ser arbitrariamente privado da sua nacion país. 3. A vontade do povo é o fundamento da autoridade dos poderes públicos: e deve exprimir-se através de eleições honestas a realizar periodicamente por sufrágio universal e igual, com voto secreto ou segundo processo equivalente que salvaguarde a liberdade de voto.

Artigo 16° 1. A partir da idade núbil, o homem e a mulher têm o direito de casar e de constituir família, sem restrição alguma de raça, nacionalidade ou religião. Durante o casamento e na altura da sua dissolução, ambos têm direitos iguais. 2. O casamento não pode ser celebrado sem o livre e pleno consentimento dos futuros esposos. 3. A família é o elemento natural e fundamental da sociedade e tem direito à proteção desta e do Estado.

Artigo 17° 1. Toda a pessoa, individual ou coletivamente, tem direito à propriedade. 2. Ninguém pode ser arbitrariamente privado da sua propriedade.

Artigo 18° Toda a pessoa tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião; este direito implica a liberdade de mudar de religião ou de convicção, assim como a liberdade de manifestar a religião ou convicção, sozinho ou em comum, tanto em público como em privado, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pelos ritos.

Artigo 19° Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e ideias por qualquer meio de expressão.

Artigo 20° 1. Toda a pessoa tem direito à liberdade de reunião e de associação pacíficas. 2. Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação.

Artigo 21° 1. Toda a pessoa tem o direito de tomar parte na direção dos negócios, públicos do seu país, quer diretamente, quer por intermédio de representantes livremente escolhidos. 2. Toda a pessoa tem direito de acesso, em condições de igualdade, às funções públicas do seu país. 3. A vontade do povo é o fundamento da autoridade dos poderes públicos: e deve exprimir-se através de eleições honestas a realizar periodicamente por sufrágio universal e igual, com voto secreto ou segundo processo equivalente que salvaguarde a liberdade de voto.

Artigo 22° Toda a pessoa, como membro da sociedade, tem direito à segurança social; e pode legitimamente exigir a satisfação dos direitos econômicos, sociais e culturais indispensáveis, graças ao esforço nacional e à cooperação internacional, de harmonia com a organização e os recursos de cada país.

Artigo 23° 1. Toda a pessoa tem direito ao trabalho, à livre escolha do trabalho, a condições equitativas e satisfatórias de trabalho e à proteção contra o desemprego. 2. Todos têm direito, sem discriminação alguma, a salário igual por trabalho igual. 3. Quem trabalha tem direito a uma remuneração equitativa e satisfatória, que lhe permita e à sua família uma existência conforme com a dignidade humana, e completada, se possível, por todos os outros meios de proteção social. 4. Toda a pessoa tem o direito de fundar com outras pessoas sindicatos e de se filiar em sindicatos para defesa dos seus interesses.

Artigo 24° Toda a pessoa tem direito ao repouso e aos lazeres, especialmente, a uma limitação razoável da duração do trabalho e as férias periódicas pagas.

Artigo 25° 1. Toda a pessoa tem direito a um nível de vida suficiente para lhe assegurar e à sua família a saúde e o bem-estar, principalmente quanto à alimentação, ao vestuário, ao alojamento, à assistência médica e ainda quanto aos serviços sociais necessários, e tem direito à segurança no desemprego, na doença, na invalidez, na viuvez, na velhice ou noutros casos de perda de meios de subsistência por circunstâncias independentes da sua vontade. 2. A maternidade e a infância têm direito a ajuda e a assistência especiais. Todas as crianças, nascidas dentro ou fora do matrimônio, gozam da mesma proteção social.

Artigo 26° 1. Toda a pessoa tem direito à educação. A educação deve ser gratuita, pelo menos a correspondente ao ensino elementar fundamental. O ensino elementar é obrigatório. O ensino técnico e profissional dever ser generalizado; o acesso aos estudos superiores deve estar aberto a todos em plena igualdade, em função do seu mérito. 2. A educação deve visar à plena expansão da personalidade humana e ao reforço dos direitos humanos e das liberdades fundamentais e deve favorecer a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e todos os grupos raciais ou religiosos, bem como o desenvolvimento das atividades das Nações Unidas para a manutenção da paz. 3. Aos pais pertence a prioridade do direito de escolher o gênero de educação a dar aos filhos.

Artigo 27° 1. Toda a pessoa tem o direito de tomar parte livremente na vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar no progresso científico e nos benefícios que deste resultam. 2. Todos têm direito à proteção dos interesses morais e materiais ligados a qualquer produção científica, literária ou artística da sua autoria.

Artigo 28° Toda a pessoa tem direito a que reine, no plano social e no plano internacional, uma ordem capaz de tornar plenamente efetivos os direitos e as liberdades enunciadas na presente Declaração.

Artigo 29° 1. O indivíduo tem deveres para com a comunidade, fora da qual não é possível o livre e pleno desenvolvimento da sua personalidade. 2. No exercício destes direitos e no gozo destas liberdades ninguém está sujeito senão às limitações estabelecidas pela lei com vista exclusivamente a promover o reconhecimento e o respeito dos direitos e liberdades dos outros e a fim de satisfazer as justas exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar numa sociedade democrática. 3. Em caso algum estes direitos e liberdades poderão ser exercidos contrariamente aos fins e aos princípios das Nações Unidas.

Artigo 30° Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada de maneira a envolver para qualquer Estado, agrupamento ou indivíduo o direito de se entregar a alguma atividade ou de praticar algum ato destinado a destruir os direitos e liberdades aqui enunciados.

Palavras chaves: Declaração Universal dos Direitos Humanos, 70 anos.