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sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Dia 29 – Morre José do Patrocínio, jornalista e ativista da causa abolicionista. Rio de Janeiro/RJ (1905).


José do Patrocínio (José Carlos do Patrocínio), jornalista, orador, poeta e romancista, nasceu em Campos, RJ, em 9 de outubro de 1853, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 29 de janeiro de 1905. Compareceu às sessões preparatórias da instalação da Academia Brasileira de Letras e fundou a cadeira nº 21, que tem como patrono Joaquim Serra.

Era filho natural do Padre João Carlos Monteiro, vigário da paróquia e orador sacro de grande fama na capela imperial, e de “tia” Justina, quitandeira. Passou a infância na fazenda paterna da Lagoa de Cima, onde pôde observar, desde criança, a situação dos escravos e assistir a castigos que lhes eram infligidos. Por certo nasceu ali a extraordinária vocação abolicionista. Tinha 14 anos quando, tendo recebido apenas a educação primária, foi para o Rio de Janeiro. Começou a trabalhar na Santa Casa de Misericórdia e voltou aos estudos no Externato de João Pedro de Aquino, fazendo os preparatórios do curso de Farmácia. Ingressou na Faculdade de Medicina como aluno de Farmácia, concluindo o curso em 1874. Sua situação, naquele momento, se tornou difícil, porque os amigos da “república” de estudantes voltavam para suas cidades de origem, e ele teria que alugar outra moradia. Foi então que seu amigo João Rodrigues Pacheco Vilanova, colega do Externato Aquino, convidou-o a morar em São Cristóvão, na casa da mãe, então casada em segundas núpcias com o Capitão Emiliano Rosa Sena. Para que Patrocínio pudesse aceitar sem constrangimento a hospedagem que lhe era oferecida, o Capitão Sena propôs-lhe que, como pagamento, lecionaria aos seus filhos. 

Patrocínio aceitou a proposta e, desde então, passou também a frequentar o “Clube Republicano” que funcionava na residência, do qual faziam parte Quintino Bocaiúva, Lopes Trovão, Pardal Mallet e outros. Não tardou que Patrocínio se apaixonasse por Bibi, sendo também por ela correspondido. Quando informado dos amores de sua filha com Patrocínio, o Capitão Sena sentiu-se revoltado, mas, afinal, Patrocínio e Bibi se casaram. Já nesse tempo Patrocínio iniciara a carreira de jornalista, na Gazeta de Notícias, e sua estrela começava a aparecer. Com Dermeval da Fonseca publicava Os Ferrões, quinzenário que saiu de 1º de junho a 15 de outubro de 1875, formando um volume de dez números. Os dois colaboradores se assinavam com os pseudônimos Notus Ferrão e Eurus Ferrão. Dois anos depois, Patrocínio estava na Gazeta de Notícias, onde tinha a seu cargo a “Semana Parlamentar”, que assinava com o pseudônimo Prudhomme. Em 1879 iniciou ali a campanha pela Abolição. Em torno dele formou-se um grande coro de jornalistas e de oradores, entre os quais Ferreira de Meneses, na Gazeta da Tarde, Joaquim Nabuco, Lopes Trovão, Ubaldino do Amaral, Teodoro Sampaio, Paula Ney, todos da Associação Central Emancipadora. Por sua vez, Patrocínio começou a tomar parte nos trabalhos da associação.

Em 1881, passou para a Gazeta da Tarde, substituindo Ferreira de Meneses, que havia morrido. Na verdade, ele tornou-se o novo proprietário do periódico, comprado com a ajuda do sogro. Patrocínio tinha atingido a grande fase de seu talento e de sua atuação social. Fundou a Confederação Abolicionista e lhe redigiu o manifesto, assinado também por André Rebouças e Aristides Lobo.
Em 1882, foi ao Ceará, levado por Paula Ney, e ali foi cercado de todas as homenagens. Dois anos depois, o Ceará fez a emancipação completa dos escravos. Em 1885, visitou Campos, onde foi saudado como um triunfador. Regressando ao Rio, trouxe a mãe, doente e alquebrada, que veio a falecer pouco depois. Ao enterro compareceram escritores, jornalistas, políticos, todos amigos do glorioso filho. Em setembro de 1887, deixou a Gazeta da Tarde e passou a dirigir a Cidade do Rio, que havia fundado. Ali se fizeram os melhores nomes das letras e do periodismo brasileiro do momento, todos eles chamados, incentivados e admirados por Patrocínio. Foi de sua tribuna da Cidade do Rio que ele saudou, em 13 de maio de 1888, o advento da Abolição, pelo qual tanto lutara.

Em 1889, Patrocínio não teve parte na República e, em 1891, opôs-se abertamente a Floriano Peixoto, sendo desterrado para Cucuí. Em 1893 foi suspensa a publicação da Cidade do Rio, e ele foi obrigado a refugiar-se para evitar agressões. Nos anos subsequentes a sua participação política foi pouca. Preocupava-se, então, com a aviação. Mandou construir o balão “Santa Cruz”, com o sonho de voar. Numa homenagem a Santos Dumont, realizada no Teatro Lírico, ele estava saudando o inventor, quando foi acometido de uma hemoptise em meio ao discurso. Faleceu pouco depois, aos 51 anos de idade, aquele que é considerado por seus biógrafos o maior de todos os jornalistas da Abolição.

Fonte  http://www.academia.org.br
http://www.palmares.gov.br

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Dia 25 Acontece a Revolta dos Malês, rebelião contra o escravismo e a imposição da religião católica. Salvador/BA (1835).



A Revolta dos Malês foi um levante de escravos na cidade de Salvador, capital da Bahia, que aconteceu na noite de 24 para 25 de janeiro de 1835. Foi a revolta de maior importância do estado.
 
O movimento ganhou este nome devido aos negros de origem islâmica que organizaram o levante. O termo "malê" tem origem na palavra imalê, que significa "muçulmano" no idioma Iorubá. Apenas negros africanos participaram da revolta, que contou com cerca de 600 homens. Os nascidos no Brasil, chamados crioulos, não cooperaram.
 
Os escravos que lutaram na revolta eram em sua maioria muçulmanos falantes da língua iorubá, também conhecidos como nagôs na Bahia. Outros grupos étnicos, como os haussás tiveram participação na batalha também, mas contribuindo com um número menos significativo de pessoas. Os nagôs tinham o costume de registrar grande parte dos acontecimentos, e as anotações encontradas viraram documentos para entender os motivos e circunstâncias do levante. Tendo como religião o Islã, eles liam e escreviam em árabe.
 
A revolta estava planejada para acontecer logo pela manhã do dia 25, porque era nessa parte do dia que a maioria da população da época ia para a Igreja do Nosso Senhor do Bonfim, esvaziando o centro da cidade. Em termos gerais, a ideia inicial era começar o levante quando os escravos saíssem para pegar água das fontes públicas, ficando mais fácil reunir parte dos envolvidos. Depois, quando a revolta tivesse início, surgiriam vários incêndios em diversos pontos da cidade para distrair a atenção da polícia.
 
No entanto, a revolta não saiu como o planejado. O levante foi denunciado na noite anterior e as autoridades se prepararam para impedir o ataque. O episódio principal da revolta e, que desencadeia o fim da mesma, aconteceu quando oficiais chegaram na região da Ladeira da Praça, onde um dos grupos dos rebeldes estava reunido. Ao tentar entrar em uma casa da região, cerca de 60 homens negros africanos saíram da residência às pressas e improvisaram um ataque. Uma batalha se desenrolou no local e os rebeldes seguiram para Câmara Municipal, que fica no mesmo lugar até hoje em Salvador.

No subsolo do órgão do governo havia uma prisão onde um dos líderes dos malês, Pacifico Licutan, que em muçulmano era conhecido como Bilal, estava detido. Ele era parte do pagamento de uma dívida que seu senhor tinha. Os bens, que incluía o líder, foram confiscados para leilão. Porém, o ataque para resgatá-lo não deu certo e o grupo rebelde foi surpreendido pelos oficiais do governo.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Plantar comunicação como se planta o umbigo na terra




Plantar o umbigo na terra é muito presente na cultura das comunidades negras, quilombolas, saramakas. O filho que ao nascer a mãe enterra o umbigo e cria um laço de amor ao seu lugar – eu sou descendente quilombola porquê o umbigo de meu pai foi plantado no quilombo.

 O mesmo ato é feito pelo saramaka do outro lado da fronteira, na Guiana Francesa – "Oyapock, a mo péyi, a la mo ké rété, oui a la mo ké rété,paské a la mo lombri planté…" tradução  "Oyapock, é meu país,e é aqui que eu vou ficar, sim é aqui que eu vou ficar, por que foi nessa terra que meu umbigo foi plantado..."-  isso é comunicação ancestral.

Sempre levei minha curiosidade – como esse ato se da lá e se da aqui?

Mesmo separados por um rio?

Da forma de comunicação de comunidades distantes umas das outras, de continente a continente, formas de vidas que se uniram pelas ondas do mar, viajaram pelas ondas e rajadas de vento, pelas fumaças, de alguma forma a comunicação se fez.

A transmissão da informação, solidificou pelas rodas do dialogo constante da cultura; o que se canta num determinado lugar, comunidade, vai ser cantado e vivido por outra do “lado de la” do planeta, como de Marrocos a Mazagão, sim, a conexão dos ancestrais com os descendentes, como uma genealogia que integra costumes, crenças, modo, trejeitos. No acalantar de uma mãe amamentando , na labuta do pai no roçado, no cultivo de sua cultura, participação nas atividades culturais, aprender fazendo, falar falando.

Essa tecnologia ancestral - subliminar - conecta uns aos outros por indução “umbilical, no sentir e no falar. Essa forma vem se aliando as estruturas contemporâneas, o universo se investe, pois a sabedoria popular da comunicação foi a muito tempo enlatada e transformada em lucro para o mundo capitalista, a inversão é transformar a comunicação das comunidades, mesma linguagem; com idiomas diferentes, mesmos dizeres e causos, com amplificação de ondas a serem captadas - sentimento.

Numa roda de conversa levadas pelo vento, o ar é livre para que possa ter espaço para fluir o conhecimento, tornar coletivo, coletivo de um povo, feito um código a ser decifrado pela essência da percepção da ancestralidade, a sabedoria de quem transmitiu a resistência: negro, índio, excluídos.

Comunicação a serviço da comunidade de forma livre e, compreensível a todos, pois os meios de comunicações, fazem uma frente pela alienação do povo, quando uma comunidade se organiza pela comunicação, abala as estruturas, a comunicação integra a sociedade mesma que isolada, como um índio que nunca precisou dos grandes centros; com  toda a estrutura, sobrevive do seu locomover do seu falar do seu comunicar.

Planto um umbigo para se comunicar.

por João Ataíde.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Indefinido os nomes das cardeiras que homenageará os baluates das culturas do batuque e do marabaixo na academia amapanese



Nessa sexta feira  (12) as comissões que integram a organização da academia amapaense de batuque e marabaixo, se reuniram nas dependências da igreja jesus de Nazaré para apresentar os nomes das personalidades que darão nomes as cadeiras, de inicio foram apresentados apenas 30 nomes, e diante de reivindicação das comunidades o numero das cadeiras foram ampliadas para 40, segundo o representante da comissão Carlos Piru que ainda integram : Daniella Ramos, Dany Pancadão, Valdi Costa, Ísis Tatiane, José Hozana, Rosivaldo, Rock e Paulo, foi muito difícil chegar a 30 nomes num montante de mais de 150 referencia das duas culturas.

Antes da reunião a redação de Alforriaamapá conversou com o principal idealizador da academia, para padre Paulo, a academia vem com a missão de fundamentar historicamente essas culturas, pois a valorização esta exatamente nisso, o de valorizar e dar conhecimento ao povo amapaense quem foram essas pessoas que fecundaram essas cultura, para isso é necessário um projeto; não um projeto que saia de gabinete como do IMPROIR ou seafro e necessário que as comunidades urbanas e rurais façam parte desse processo.
Na academia não será lugar só do intelectual, será lugar de quem vive na comunidade, pois eles serão responsável de conduzir a manutenção do que ele conhece. “ talvez não temos noção da dimensão do que estamos fazendo, hoje vocês são os verdadeiros protagonistas de sua historia, pois o tambor é sagrado seja ele tocado aonde que que seja”, foi o que ressaltou o padre.



Para o Hozana representante de Mazagão velho,  essa organização estrutural de nossas culturas, tanto do Batuque quanto do Marabaixo é fundamental, pois muitos que embarcam nem conhecem quem foram as pessoas que por séculos foram esquecidas, dessa forma, através da academia essas pessoas serão reconhecidas e a sociedade vai saber quem são e foram eles.

Os trabalhos entorno da criação da academia continuam de certo é que dia 23/03 serão empoçados os titulares das cadeiras para a academia amapaense de batuque e marabaixo.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Academia Amapaense de Batuque e Marabaixo



Resgate, valorização, memória e respeito são as palavras que incentivaram um grupo de amapaenses e descendentes de famílias tradicionais a criar a Academia Amapaense de Batuque e Marabaixo, a primeira voltada para a cultura regional tradicional. Os direcionamentos foram tratados no último dia 5, na quadra da Igreja Jesus de Nazaré, quando 25 representantes de grupos tradicionais e lideranças de comunidades quilombolas e de movimento marabaixeiro, sob a orientação do padre Paulo Roberto Matias, definiram as metas e deram início aos procedimentos oficiais.

A iniciativa foi motivada com base na necessidade de um projeto sério e recente, diferente de todos que já foram implantados para preservar as tradições, cultura e memória dos afrodescendentes do Amapá. Durante a reunião de organização, o padre Paulo Roberto, idealizador do projeto, referência na luta por respeito pelos afrodescendentes brasileiros e militante de causas sociais, ressaltou a importância da Academia. “É preciso ter mais respeito com a nossa cultura, a mesma não pode ficar atrelada a guetos, e a Academia tem a finalidade de unir o coletivo, e homenagear os verdadeiros protagonistas da nossa história e detentoras de saber popular”.

“A Academia vem para resgatar ,preservar, incentivar pesquisas e estudos , difundir a nossa história, buscar o congraçamento , engrandecer os atuais envolvidos e perpetuar a nossa cultura. É um projeto onde as pessoas e famílias de afrodescendentes se sentirão representados, e isso é importante porque envolve alto estima, valorização e respeito com a história e não vai mais permitir que pioneiros sejam esquecidos e a memória enterrada”, disse Danniela Ramos, bisneta do mestre Julião Ramos e uma das pessoas que incentivou a aproximação de jovens e crianças com a acultura do marabaixo e batuque.

Serão escolhidos 30 nomes de personalidades já falecidas da nossa cultura, para nomearem as cadeiras da Academia, sendo 15 nomes da área rural e 15 da área urbana, independente de escolaridade, determinação justificada por terem sido detentores do saber cultural assistemático  das culturas do batuque e marabaixo. A data em que a Academia Amapaense de Batuque e Marabaixo será instituída oficialmente é 23 de março, e três comissões foram escolhidas para dar encaminhamentos, organização, estudo, avaliação e seleção das 30 personalidades que serão homenageadas primeiramente, com a denominação das cadeiras

“A partir de agora inicia um novo momento no processo de valorização da cultura, pessoas e tradições afrodescendentes no Amapá, e a Academia tem essa missão importante que vai além dos movimentos já existentes, porque se propõe a estudar, pesquisar, difundir a história com viés social, antropológico, religioso e cultural, buscando a aproximação entre as comunidades e sociedade, e promover o intercâmbio de conhecimento e informações. As personalidades serão homenageadas em todo o processo, com honrarias, certificados, tirando assim estes pioneiros do da cultura do batuque e marabaixo do anonimato e esquecimento”, finalizou padre Paulo Roberto.

Texto: Marileia Maciel